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Estabilidades Possíveis

Minha mãe é da geração Baby Boomer, o que significa que, para ela, trabalho deveria significar estabilidade e vínculo. Durante grande parte da sua vida, trabalhou na mesma empresa como bancária e esteve rodeada pelas mesmas pessoas. Passei minha infância e adolescência escutando que o trabalho engrandece o homem, que a empresa onde ela trabalhou foi uma mãe com ela e que eu deveria planejar bem meu futuro, para não arriscar perder estabilidade. 


Eu cresci com essa informação em algum lugar do meu cérebro, mas quando decidi a profissão que mais me atraía, me vi escolhendo a Psicologia. No nosso primeiro dia de aula, os duzentos novos alunos em um auditório escutaram de um professor: “Vocês querem garantia financeira? Então troquem de curso. Na Psicologia vocês vão demorar pelo menos 10 anos até se estabilizarem”. Escutei com os olhos arregalados – mas como aquilo era possível, existir uma carreira baseada em instabilidade com formação acadêmica e tudo?! 


Não sei como não fugi correndo daquele auditório. Eu fiquei e decidi focar minha carreira em coisas que pudessem garantir que eu me formasse e garantir que eu mantivesse minha vida tranquilamente depois de formada. Trabalhei em restaurante para pagar as mensalidades e, quando os estágios surgiram, fui diretamente para a área de Recrutamento e Seleção, onde fiquei por cinco anos. Conheci pessoas incríveis, aprendi muitas coisas importantes, desenvolvi o idioma inglês que aprendi no curso de idiomas (e até melhorei o francês), realizei projetos muito interessantes e possibilitei a muitos profissionais a oportunidade de trabalho de seus sonhos. 


Até que um dia, o coração pediu mais. Eu sempre desejei viajar, estudar fora do país, e não tive a chance antes (por tempo, por dinheiro e principalmente, por medo). Procurei lugares, escolas e trabalhos que me mantivessem no período em que eu estivesse fora. Preparei meu coração e minha cabeça para mudar de vida e de rotina. Encontrei uma família que me queria para cuidar de seus filhos e iniciei o processo: pedi demissão, entrei com pedido de documentação, escolhi escola de idioma na cidade, fiz exames médicos necessários e contei a alguns poucos amigos. Tudo decidido, embarque planejado para acontecer em um mês e meio, até que a família desistiu de me contratar. Fiquei muito triste, tudo estava planejado, muita coisa já tinha sido feita. 


Neste período, após sair da consultoria onde eu trabalhava e antes da data planejada para a viagem, fiz um projeto de treinamento e desenvolvimento com dois consultores maravilhosos, o Danilo Porto e o Alexandre Vecchio. Aquele projeto me reaproximou do desenvolvimento humano vivencial, aqueceu meu coração, e o passo seguinte foi me ver em torno de mais outros vários profissionais que admirava há tempos, fazendo parte daquele movimento: a Senses Aprendizagem. 


Este não é um texto sobre jogar tudo para o alto porque tenho visto muitos textos que tratam a mudança de vida como uma decisão a ser tomada a partir de um impulso e os destinos, na grande maioria das vezes, incluem estradas, praias e dias ensolarados.



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Assim, só que com uma linda praia à direita.


Mas, infelizmente a realidade não é tão bacana assim. Eu não me planejei financeiramente como deveria e segui em frente pela generosidade de uma pessoa muito querida, a quem sempre serei grata (obrigada, Ricardo!). Foquei no dia ensolarado que me esperava na França e não olhei para o que eu poderia fazer com minha vida aqui mesmo, no meu país. Foi somente depois que a família francesa desistiu de mim e a Europa se fechou mais do que nunca, que eu pude ver o que tinha ao meu redor. Eu procurei muito por outras opções de ir embora, mas nada pareceu possível. O possível era ficar. 


Por outro lado, este é este tipo de texto no sentido de te dizer: não adianta passar sua vida fazendo um trabalho somente para garantir seu futuro. O seu futuro também é daqui 10 minutos, não é só daqui 30 anos. Eu poderia continuar trabalhando com o que trabalhava antes, mas meu coração pediu para que eu fizesse diferente. Faz só um ano e meio que eu tive meu momento de jogar tudo para o alto, e o futuro que eu tive de lá até hoje faz com que tudo que veio antes valha a pena. Meu futuro não teve estradas ou praias, mas teve ganhos profissionais e pessoais imensuráveis. Cresci, amadureci, me desenvolvi e sou muito mais feliz hoje. 


E hoje eu consegui transformar o conselho que minha mãe me dava e torna-lo mais “geração Y”, a minha. Para ela, o que importava era ser estável e garantir seu futuro. Esta estabilidade significava décadas em uma mesma empresa e a garantia de futuro incluía conta poupança e imóveis. Eu tive a oportunidade de largar meu país e toda minha vida para uma nova história, mas quando a oportunidade se retirou, decidi não insistir e criar minhas raízes. 


Hoje sou estável. Talvez não tão estável financeiramente quanto já fui um dia, mas sou estável com minhas relações, escolhas e com minha terra. Decidir ficar exige tanta coragem quanto decidir ir. Decidi voltar à Psicologia Clínica, e agora estou em um segundo passo importantíssimo nesta carreira. Decidi juntar minhas mãos às mãos de outras pessoas incríveis e levar a Senses Aprendizagem para onde ela for acrescentar conhecimento. Hoje estudo muito mais do que estudava antes, hoje trabalho muito mais horas do que trabalhava antes, hoje me desloco para lugares mais distantes do que antes. 


Eu tive impulso, coragem e muita sorte, para começar. E venho caminhando desde então com muito esforço. Talvez a minha estabilidade seja uma junção destas quatro coisas.

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